Há um custo silencioso correndo por trás dos balanços das empresas de médio porte que poucos CFOs conseguem ver na planilha, mas que todo colaborador sente na pele: o custo da liderança despreparada. Em 2026, esse custo deixou de ser apenas uma questão de cultura ou clima organizacional. Tornou-se um risco de negócio mensurável — e, em muitos casos, existencial.
Dois estudos globais recentes acendem um alerta vermelho que líderes de RH e CEOs precisam encarar com urgência. O Gallup, em seu State of the Global Workplace 2025, mostra que o engajamento global despencou para 21%, uma queda equivalente à observada no primeiro ano da pandemia. O dado mais inquietante: essa queda é puxada principalmente pelo desengajamento dos próprios gestores de pessoas.
Quem deveria sustentar a chama da equipe é hoje, paradoxalmente, a principal fonte de apatia. Já o relatório The Leadership Divide, da Hogan Assessments — baseado em respostas de 9.794 colaboradores em 25 países e em mais de 21 mil avaliações de executivos —, traz uma conclusão ainda mais perturbadora: não há absolutamente nenhuma sobreposição entre as cinco competências mais demonstradas pelos executivos atuais e as cinco competências que os colaboradores dizem querer em seus líderes.
Zero sobreposição. Esse é o tamanho do abismo que separa quem decide de quem executa.
O retrato do problema: estamos promovendo as pessoas erradas
A pesquisa da Hogan revela que executivos do mundo todo são reconhecidos e promovidos por inspirar os outros, competir, apresentar ideias com confiança, tomar iniciativa e estimular inovação. São, em essência, líderes emergentes — pessoas que se destacam, vendem bem a própria imagem, articulam visão. O problema é que as equipes não pedem nada disso. Os colaboradores querem outras cinco coisas, totalmente diferentes: comunicação eficaz, tomada de decisão baseada em dados, accountability (responsabilização pelos resultados), integridade e capacidade real de liderar pessoas.
A diferença é gritante: 97% dos respondentes globais consideram comunicação eficaz como característica importante ou extremamente importante em um líder ideal. Outros 97% citam tomada de decisão baseada em julgamento sólido. 97% querem accountability. 97% esperam integridade. E ainda assim, nenhuma dessas competências figura no topo do perfil dos líderes que de fato estão no poder.
O que isso significa na prática? Significa que organizações estão sistematicamente confundindo visibilidade com substância, confiança performática com competência real, autopromoção com a capacidade de construir e sustentar times de alta performance. E pagam caro por essa confusão.
O custo real: saúde mental, turnover e produtividade evaporada
O dado mais brutal da Hogan: 65% das pessoas afirmam que a parte mais estressante de suas vidas é o chefe direto. Não é o trânsito, não é o orçamento doméstico, não é a política nacional. É o líder que elas encontram todos os dias na reunião das 9h. Isso tem nome técnico — risco psicossocial — e tem consequências mensuráveis: ansiedade, burnout, afastamentos médicos, queda de produtividade, e, em última instância, evasão de talentos.
NR-1 em resposta ao impacto do trabalho na saúde mental
No Brasil, esse cenário ganhou contornos regulatórios definitivos com a atualização da NR-1, que passou a exigir o gerenciamento de riscos psicossociais nas empresas. Já não é mais um assunto de “cultura”, é um assunto de conformidade legal. E o gerador número um de risco psicossocial nas organizações, segundo evidências acumuladas em décadas de pesquisa, é a má liderança.
Some-se a isso o que a Hogan chama de lado sombrio da personalidade: características que emergem quando o líder está sob pressão. Os gestores atuais tendem a ser confiantes e assertivos, mas com risco moderado a alto de parecerem arrogantes; carismáticos, mas propensos a testar limites; expansivos, mas dramáticos. 72% dos colaboradores no mundo dizem que não querem líderes com volatilidade emocional e imprevisibilidade. 62% rejeitam líderes com agressividade passiva. 59% rejeitam arrogância. Quando essas tendências aparecem — e elas aparecem inevitavelmente sob estresse —, os times perdem confiança, os talentos saem, e a performance afunda.
Estudos da Deloitte mostram que 57% das organizações apontam falta de alinhamento entre as habilidades de liderança atuais e as necessidades estratégicas da empresa. Soma-se isso a um dado da ATD (Association for Talent Development): 50% do conhecimento adquirido em treinamentos é esquecido em até cinco semanas, e 84% se perde em três meses quando não há aplicação prática. Não à toa, o Center for Creative Leadership constata que 71% dos programas tradicionais de desenvolvimento de liderança simplesmente não conseguem acompanhar a velocidade das mudanças do mercado.
Estamos investindo em líderes que não temos mais tempo de formar pelos métodos antigos.
A pressão da IA: aceleração de resultados versus desidratação humana
Enquanto isso, a inteligência artificial transformou-se em uma nova régua para tudo. Conselhos de administração cobram aceleração de produtividade. Investidores pedem margens maiores com times menores. CEOs precisam responder semanalmente como estão aproveitando a tecnologia para fazer mais com menos. E os líderes intermediários ficam exatamente no meio dessa pinça: precisam entregar mais, em menos tempo, com equipes ansiosas pela própria empregabilidade, em um ambiente em que a confiança institucional desaba e o trabalho deixou de oferecer segurança e sentido.
É justamente nesse cenário que a qualidade da liderança humana se torna a variável crítica. Quando algoritmos assumem o operacional, o diferencial competitivo se desloca para aquilo que só pessoas fazem bem quando há um bom líder presente: julgamento contextual, decisões éticas, integração de equipes diversas, cuidado com a saúde mental, construção de propósito. Empresas que só investem em IA, mas não preparam a liderança humana para conduzir essa transição, terão times mais produtivos no curto prazo e organizações mais frágeis no médio. É o tipo de eficiência que come a vantagem competitiva pela base.
“Não adianta humanizar as relações se o resultado disso não significar extrair o máximo potencial de cada um. Mas também não adianta extrair performance queimando as pessoas. O líder do futuro é aquele que sustenta os dois — e isso não se aprende em workshop de oito horas.”
— William Câmara, COO da Upskill Platform
Por que a Upskill aposta em mentoria híbrida de humanos com IA
Há mais de 20 anos mentorando executivos C-level, presidentes e fundadores de empresas como Adobe, IQVIA, Mercado Bitcoin, Stefanini Cyber, Ingredion e ConectCar, engenheiro elétrico pela PUC-SP, com MBA em empreendedorismo e atualmente estudando Inteligência Artificial no MIT — observei de perto o que ele chama de “a curva do desperdício”. É o gráfico mental de toda iniciativa de desenvolvimento de liderança que começa com euforia, passa por um workshop intenso, e morre nas três semanas seguintes porque o líder volta para sua rotina e não tem a quem recorrer quando o primeiro desafio real bate na porta.
“O treinamento tradicional falha em um ponto óbvio: ele entrega conteúdo em um único momento e espera que o líder aplique sozinho”, explica Will. “O cérebro humano não funciona assim. Habilidade comportamental se consolida com repetição, suporte sob demanda e correção em tempo real. É exatamente isso que a IA generativa permitiu fazer em escala pela primeira vez.”
A tese central da Upskill é que o desenvolvimento de liderança precisa ser, simultaneamente, três coisas: personalizado, contínuo e mensurável. Personalizado porque cada líder tem um perfil, gaps específicos de habilidade e um contexto único de negócio. Contínuo porque comportamento muda no dia a dia, não em retiros. Mensurável porque o que não se mede não recebe investimento sustentado — e RH precisa demonstrar ROI para sustentar verba.
Como funciona a mentoria híbrida na prática
Na Upskill, cada líder começa com um assessment que mapeia seu perfil de liderança e seus gaps de habilidade. Um algoritmo proprietário, alimentado por mais de duas décadas de know-how em mentoria, sugere trilhas de aprendizagem customizadas e faz o Mentor Match — uma seleção semi-automática que combina o líder com o mentor humano mais adequado ao seu momento, com curadoria final feita por um especialista experiente.
A partir daí, o líder participa de mentorias individuais ao vivo com mentores humanos certificados e tem, simultaneamente, acesso 24/7 ao mentorIA — um mentor virtualizado treinado semanalmente com a metodologia proprietária da casa e a experiência dos próprios mentores. Quando o líder sai de uma sessão humana com uma “missão” para aplicar na semana e se depara com uma dificuldade às 22h de uma terça-feira, ele não precisa esperar a próxima sessão para tirar a dúvida: o mentorIA está lá, com o contexto, as ferramentas e os frameworks da metodologia.
O humano transforma, a IA sustenta e amplifica. Essa é a equação que muda o jogo da retenção de aprendizado: em vez de perder 84% do conteúdo em três meses, o líder consolida a competência porque tem reforço contínuo. E enquanto isso, a plataforma mensura — engajamento, progresso por habilidade, temas mais recorrentes, impacto na performance — entregando ao gestor de talentos um dashboard que permite calcular ROI real.
O que o estudo da Ryerson University confirma
A metodologia da Upskill foi avaliada por pesquisadoras PhDs da Ryerson University, em Toronto, usando instrumentos cientificamente validados como o Mindful Attention Awareness Scale e o Dispositional Resiliency Scale. Os resultados confirmaram aumento de autopercepção, resiliência, foco, autocontrole, produtividade, bem-estar físico e mental, e autoconfiança nos líderes participantes. Mais importante: o estudo identificou os mecanismos que realmente movem a mudança comportamental — clareza dos objetivos, conexão positiva com o mentor, confiança nos resultados demonstrados em dados, e aprendizagem prática e aplicável.
Não é coincidência que sejam exatamente os mecanismos ausentes nos treinamentos tradicionais.
O preço de não fazer: cálculo para CEOs e líderes de RH
Considere uma empresa de médio porte com 50 líderes. Imagine que 30% deles geram, hoje, o que a Hogan chama de derailers — comportamentos que minam a confiança das equipes. Cada um desses líderes impacta, em média, uma equipe de 8 pessoas. Estamos falando de 120 colaboradores sob risco psicossocial elevado, com engajamento abaixo da média global de 21% e turnover muito acima do saudável.
O custo de substituir um colaborador qualificado varia de 50% a 200% do salário anual, segundo estudos da SHRM. Some-se a isso a queda de produtividade dos que ficam, os afastamentos por saúde mental — agora monitorados pela NR-1 —, o desgaste reputacional como empregadora, e a fuga de talentos para concorrentes. O custo anual oculto de manter líderes despreparados em uma empresa desse porte facilmente ultrapassa a casa dos milhões.
Compare isso com o custo de um programa contínuo de mentoria híbrida — uma fração desse valor, com retorno mensurável em performance individual, retenção e indicadores de cultura.
A escolha não é entre investir e não investir. É entre investir em uma solução ágil e mensurável agora, ou pagar a conta — bem mais alta — em saúde organizacional comprometida, talentos perdidos e vantagem competitiva erodida.
O que CEOs e líderes de RH precisam fazer agora
Primeiro: pare de promover por visibilidade. Os dados da Hogan são claros. Quem brilha em apresentações de comitê executivo não é necessariamente quem constrói equipes de alta performance. Adote assessments validados de personalidade e valores antes de promover. Inclua entrevistas comportamentais que revelem accountability, integridade e capacidade real de liderar pessoas, não apenas “presença”.
Segundo: redefina o que significa alto potencial. Alto potencial não é quem se vende melhor. É quem combina competência técnica com humildade, abertura a feedback, julgamento sólido e capacidade de construir confiança. Isso se mede.
Terceiro: abandone o ciclo do treinamento descartável. Workshops avulsos e cursos enlatados têm 84% do conteúdo perdido em três meses. Em um cenário em que a IA acelera todos os ciclos de negócio, esse desperdício é uma decisão estratégica equivocada. Adote programas contínuos, personalizados e mensuráveis.
Quarto: use a tecnologia certa para escalar humanidade, não para substituí-la. A IA aplicada ao desenvolvimento de liderança não é um chatbot que responde perguntas. É um mentor virtualizado treinado em metodologia validada, que sustenta o aprendizado entre as sessões com mentores humanos, personaliza trilhas e gera dados de progresso. É isso que faz o desenvolvimento sair do papel e entrar no comportamento real.
Liderança é a alavanca, não o adorno
Em um mundo BANI — frágil, ansioso, não-linear e incompreensível, como descreveu o Edelman Trust Barometer 2026 —, as instituições perdem credibilidade e as pessoas se voltam para círculos menores. Curiosamente, é justamente o empregador quem ainda mantém alguma confiança junto ao colaborador. Isso coloca uma responsabilidade enorme nas mãos das organizações: a chance de reconstruir confiança a partir de dentro, começando pelos líderes.
A Upskill nasceu da convicção de que essa reconstrução não é um luxo, e sim a principal alavanca de resultado, cultura e transformação sustentável que existe hoje. Não há ferramenta de IA, processo enxuto ou estratégia de mercado que sobreviva a uma liderança que adoece as pessoas. E não há tempo, no ritmo atual, para preparar líderes do jeito antigo.
A pergunta que cabe a cada CEO e líder de RH neste momento é objetiva: quanto custa o seu próximo trimestre de liderança despreparada — e quanto valeria começar a mudar esse cenário, hoje, com a velocidade que o mundo exige?
Se você quer entender como acelerar e mensurar o desenvolvimento da sua liderança, agende um diagnóstico gratuito via contato@upskillplatform.com.


