Você considera sua equipe muito dependente de você? Falta autonomia e proatividade? O desempenho fica a desejar?
Neste artigo:
- O que é: O artigo explica os princípios fundamentais para criar e liderar equipes de alto desempenho: compartilhar a visão estratégica, dar autonomia, construir uma cultura de transparência e promover conexões significativas entre os colegas. Ele parte da provocação de que a falta de proatividade e autonomia da equipe pode ser reflexo do comportamento do próprio líder.
- Por que importa: Quando o líder retém informações e apenas pressiona os liderados a executar tarefas sem conectá-las aos objetivos do grupo, gera desengajamento e desmotivação. O texto se apoia nos princípios de Jeff Sutherland e J.J. Sutherland (livro Scrum), segundo os quais autonomia, domínio e propósito tornam as pessoas felizes e constroem grandes equipes, e na transparência radical de Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates.
- O que fazer: Compartilhe a visão e a responsabilidade, deixando cada um decidir como vai contribuir para as metas; crie uma cultura de transparência apoiada em uma ferramenta de acompanhamento das tarefas; e organize oportunidades de conexão pessoal entre os colegas, especialmente em equipes remotas e híbridas. Comece hoje escolhendo um desses princípios para aplicar.
Já pensou que isso pode ser um reflexo do seu próprio comportamento? Observou se você está controlando a lista de tarefas e de prioridades dos liderados? Ou você tem o hábito de compartilhar e atualizar a visão estratégica, os objetivos e as metas da empresa? Você pede que eles ajudem a traçar o plano de ação, valorizando suas melhores habilidades?
Compartilhe a visão e a responsabilidade com a equipe
Quando você compartilha a responsabilidade para que cada colaborador tenha que pensar em seu papel dentro de determinado projeto ou processo, ele terá que se esforçar para sair da inércia reativa de fazer o que lhe pedem e elaborar uma resposta única que verdadeiramente contribua para alcançar os resultados que o grupo precisa gerar para a empresa cumprir seu propósito.
O líder tende a ter uma visão mais ampla do que cada membro da equipe, porque normalmente tem mais acesso a informações estratégicas do negócio. Mas guardar informações para si e ficar pressionando os liderados para fazer suas tarefas sem conectar com os objetivos do grupo, desengaja e causa desmotivação para o trabalho.
Por outro lado, se o líder compartilha esta visão, traduzindo para a equipe o que ela significa para sua área de atuação, cada um se sente responsável por dar seu melhor para alcançar as metas que vão conduzir o negócio aos seus objetivos e fazer todos crescerem juntos. E, assim, cada um também sente que contribui de maneira única para o alcance das metas, sentindo-se valorizado como parte fundamental do grupo.
Dê autonomia, domínio e propósito à equipe
Como diz Jeff Sutherland e J.J. Sutherland, no seu livro Scrum – A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo, o que faz as pessoas felizes e constrói grandes equipes são: “autonomia, domínio e propósito. Ou seja, “é a capacidade [de cada indivíduo] de controlar o próprio destino, a sensação de estar melhorando em alguma atividade e de estar servindo a algum propósito maior“. “Em todas as equipes excelentes, os integrantes têm a oportunidade de decidir COMO alcançar as metas estabelecidas por quem comanda a organização.”
Transparência aumenta a agilidade e a eficiência equipo
Um dos princípios que Sutherland considera necessário para ser possível ter equipes de alto desempenho é a transparência. “A equipe pode se organizar para enfrentar problemas que se tornam óbvios porque tudo é transparente”.
É verdade que a cultura da transparência não é tão fácil de ser implementada quando a empresa começa a crescer rápido, ou se a empresa já tem um porte muito grande e o padrão de comportamento organizacional é manter o sigilo. Nesses casos, é preciso implementar uma mudança comportamental que levará tempo para se tornar o jeito das pessoas trabalharem, mas que pode ser promissor no sentido de facilitar a liderança e aumentar a agilidade e a eficiência das equipes.
Transparência em grandes corporações
Em se tratando de transparência em grandes empresas, temos o exemplo de Ray Dalio, autor do livro Princípios (entre outras obras) e fundador da Bridgewater Associates, que é uma das maiores empresas de investimentos do mundo. O 8o. princípio que Dalio implementou em suas empresas para alcançar o sucesso financeiro e profissional, foi o da transparência radical, que significa dar aos colaboradores a possibilidade de dizer o que elas realmente pensam; inclusive dar feedbacks construtivos aos líderes publicamente.
Não quer dizer que sua empresa precisa copiar o que ele fez, mas ele é um exemplo de implementação bem sucedida da transparência caso sua organização seja de médio ou grande porte.
Autogestão e autorregulação das equipes
Segundo Suttherland, as melhores equipes são autônomas, o que significa que “são auto-organizadas e se autogerenciam. Podem decidir como executar o trabalho e têm o poder de fazer com que suas decisões sejam cumpridas”. E elas conseguem se autorregular porque sabem o que está sendo feito pelos colegas, sejam do mesmo departamento ou de outro com quem precisam trabalhar em sinergia. Para isso, é preciso ter uma ferramenta onde as tarefas vão sendo acompanhadas e a informação atualizada; e é preciso que as pessoas se comprometam em atualizar essas informações.
Crie oportunidades para conexões significativas
Além da transparência, a conexão significativa entre as pessoas permite que um colega se interesse pelo outro em nível pessoal e não só profissional e haja reciprocidade em pedir e oferecer ajuda quando necessário. Para que isso aconteça, é preciso que a liderança crie oportunidades para esses colegas conversarem e interagirem em situações fora do dia a dia de trabalho. Momentos em que a diversão e a descontração sejam o foco principal.
Em equipes remotas e híbridas, torna-se ainda mais importante que a liderança organize eventos presenciais, ainda que sejam dias de atualização e alinhamento de metas e propósito, e até mesmo reuniões de colaboração para iniciar novos projetos. Além, claro, de eventos sociais, que deem oportunidade de conversas descontraídas e mais pessoais.
Sentir que a pessoa com quem trabalha se interessa por seu bem-estar e satisfação além do seu desempenho no trabalho, promove segurança, cria laços de confiança e provê suporte emocional quando algo não vai bem na vida pessoal de alguém, evitando grandes quedas no desempenho do grupo.
Conclusão
Por fim, esses são os princípios fundamentais para criar e liderar uma equipe de alto desempenho:
- dar poder para que os liderados tomem decisões – decidam como vão contribuir para o alcance das metas e objetivos,
- criar uma cultura de transparência, em que todos podem acessar e/ou pedir as informações que precisam para realizar suas tarefas,
- compartilhar a visão estratégica, para onde o negócio está indo, bem como as metas que precisam ser alcançadas para chegar lá,
- criar um ambiente de trabalho e oportunidades de conexão significativa entre os colegas, para que estejam mais motivados a trabalhar de maneira colaborativa e possam se autorregular sem causar conflitos.
O que você vai começar a aplicar hoje para melhorar o desempenho de sua equipe?
Perguntas frequentes sobre como liderar uma equipe de alto desempenho
O que define uma equipe de alto desempenho segundo o artigo?
Segundo o texto, equipes de alto desempenho são autônomas, auto-organizadas e se autogerenciam, decidindo como executar o trabalho e tendo poder para fazer suas decisões serem cumpridas. Elas se apoiam em três pilares apontados por Jeff Sutherland e J.J. Sutherland no livro Scrum: autonomia, domínio e propósito. A transparência é o que permite que se autorregulem sem conflitos.
Por que a falta de autonomia da equipe pode ser culpa do líder?
O artigo provoca que uma equipe dependente, pouco proativa e de baixo desempenho pode refletir o comportamento do próprio líder. Isso acontece quando o líder controla a lista de tarefas e prioridades dos liderados e guarda para si informações estratégicas, em vez de compartilhar a visão e a responsabilidade. Esse padrão mantém as pessoas em uma inércia reativa de apenas fazer o que lhes pedem.
Como o líder deve compartilhar a visão estratégica com a equipe?
O líder costuma ter acesso mais amplo às informações estratégicas do negócio e deve traduzir o que essa visão significa para a área de atuação de cada um. Ao fazer isso, cada colaborador se sente responsável por dar o seu melhor para alcançar as metas e percebe que contribui de forma única para os objetivos da empresa. O resultado é mais engajamento e a sensação de ser parte fundamental do grupo.
O que é transparência radical e como aplicá-la em empresas maiores?
Transparência radical é o oitavo princípio implementado por Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates e autor do livro Princípios, e significa dar aos colaboradores a possibilidade de dizer o que realmente pensam, inclusive dar feedbacks construtivos aos líderes publicamente. O artigo esclarece que sua empresa não precisa copiar exatamente esse modelo, mas ele serve de exemplo de implementação bem sucedida em organizações de médio ou grande porte. Em empresas que crescem rápido ou já têm cultura de sigilo, isso exige uma mudança comportamental que leva tempo.
Como liderar equipes remotas e híbridas de alto desempenho?
O artigo destaca que, em equipes remotas e híbridas, é ainda mais importante que a liderança crie oportunidades de conexão significativa entre os colegas. Isso inclui organizar eventos presenciais de alinhamento de metas e propósito, reuniões de colaboração para iniciar projetos e também eventos sociais com foco em descontração. Sentir que o colega se interessa pelo seu bem-estar gera segurança, confiança e suporte emocional, evitando grandes quedas no desempenho do grupo.




